Maternidade como Libertação: Uma Homenagem Segundo Gaiarsa (por Tácito Loureiro)
Publicada em: 11/05/2025 08:12 - Famosos
No imaginário coletivo, o Dia das Mães celebra a figura da mulher que se doa inteira, que vive em sacrifício contínuo pelos filhos, como se a maternidade fosse sinônimo de renúncia. José Angelo Gaiarsa, contudo, desmonta essa narrativa com a ousadia de quem enxerga além dos mitos. Para ele, a mãe ideal não é aquela que aprisiona o filho em seus braços, mas a que o ensina a caminhar sem medo de soltar sua mão.
Gaiarsa propõe uma revolução silenciosa: a mãe não deve ser um porto seguro estático, mas um vento que impulsiona a vela do barco rumo ao desconhecido. Sua verdadeira função não é proteger o filho do mundo, mas prepará-lo para enfrentá-lo com integridade. A grandeza materna está em não temer os tropeços da criança, pois é na queda que se aprende a levantar. A mãe sábia, segundo ele, não corta as asas do filho com preocupações excessivas; em vez disso, mostra o céu e confia na capacidade dele de voar.
Há aqui uma crítica profunda à idealização do amor materno como posse. Gaiarsa denuncia a armadilha do "tudo por você", que muitas vezes esconde uma necessidade inconsciente de controle. A mãe que se anula para viver através do filho não o liberta — o condena a carregar o peso de suas expectativas. A verdadeira mãe, na visão do psicólogo, é aquela que se permite ser humana, falha e completa em si mesma, ensinando pelo exemplo que amar é também saber desapegar.
Nessa perspectiva, o Dia das Mães não é uma celebração da dependência, mas um tributo à coragem de deixar ir. A genialidade de Gaiarsa está em reconhecer que o maior ato de amor materno é aquele que não grita, não sufoca, não cobra gratidão. É o amor que silenciosamente se faz ausente quando necessário, permitindo que a vida seja vivida em toda sua complexidade. A mãe, assim, não é um altar a ser cultuado, mas uma raiz que nutre sem aprisionar, uma presença que fortalece mesmo na invisibilidade.
Neste dia, mais do que flores ou homenagens, talvez devêssemos oferecer às mães o reconhecimento de sua mais difícil e nobre tarefa: a de serem, elas mesmas, livres o suficiente para ensinar a liberdade. Porque, como Gaiarsa insiste, só é capaz de criar um ser autônomo quem ousa abdicar do poder sobre ele. E nesse gesto de entrega humilde — sem glórias ou holofotes — reside a verdadeira essência materna.
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