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O Narcisismo Feminino: Uma Perspectiva Científica Sucinta (Por Liliana Medeiros)

Publicada em: 22/01/2026 12:12 -

 

Embora o Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN) seja mais frequentemente diagnosticado em homens (com proporções que variam de 2:1 a 3:1, segundo o DSM-5), sua manifestação em mulheres é um fenômeno complexo e por vezes sub-reconhecido.

A ciência indica que as bases neurobiológicas do narcisismo—como alterações na estrutura e função de regiões cerebrais ligadas à empatia (ínsula anterior, córtex pré-frontal medial) e à autorregulação emocional—são semelhantes em ambos os sexos. No entanto, a expressão do traço é moldada por expectativas sociais e de gênero.

Enquanto homens narcisistas tendem a exibir mais grandiosidade, exploração e busca por status (narcisismo grandioso), estudos sugerem que mulheres com traços narcisistas podem adotar estratégias mais cobertas ou relacionais. Isso pode se manifestar como:

· Competitividade feroz em ambientes sociais ou profissionais, muitas vezes disfarçada de "apoio".

· Uma busca por validação através da imagem, do desempenho perfeito ou da criação de uma identidade idealizada nas redes sociais.

· Manipulação relacional (como formar triângulos dramáticos), usando a intimidade e a informação como moeda de poder.

Um estudo publicado no Journal of Research in Personality (Grijalva et al., 2015) aponta que mulheres pontuam mais alto em aspectos de vulnerabilidade narcisista—sentimentos de inadequação, hipersensibilidade à crítica e vergonha—que muitas vezes ficam ocultos por uma fachada de competência ou perfeição.

O impacto é significativo: relacionamentos íntimos com parceiras narcisistas podem ser marcados por ciclos de idealização e desvalorização, comunicação manipulativa e uma assimetria emocional onde as necessidades da mulher narcisista são sempre centrais.

Em resumo, o narcisismo feminino não é "menos grave", mas pode ser menos óbvio, adaptando-se a um contexto social que recompensa diferentes formas de busca por admiração e poder. Reconhecê-lo requer observar padrões persistentes de direcionamento de atenção para o self, falta de empatia genuína e exploração interpessoal, independentemente do gênero.

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