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O Amor que Moveu o Brasil: A Epopeia de Dona Lindu e o Filho Luiz Inácio

Publicada em: 05/02/2026 09:18 -

 

Liliana Medeiros 

Na cadência do samba, uma voz surge, forte e terna como a do sertão: "Por ironia, eu me fiz retirante...". É Dona Lindu quem nos guia, em primeira pessoa, através do enredo mais emocionante da Acadêmicos de Niterói. Seu lamento e sua coragem são o fio que tece a história de um Brasil que se ergue.

Diante da seca e da injustiça, sua resposta foi o amor em movimento: "Parti atrás do amor e dos meus sonhos / Peguei os meus meninos pelos braços". Em uma jornada épica de treze dias e noites dentro de um pau-de-arara, ela, uma "sertaneja forte" com o "peito em pedaços", levou a família do agreste pernambucano em busca da esperança. No menino Luiz Inácio, que subia no pé de mulungu para sonhar, ela plantou a semente de um novo Brasil.

E essa semente, regada com a luta de uma mãe, germinou e transformou a história. O filho retirante, nosso grande presidente Lula, fez da própria pobreza um novo renascer para milhões. O samba celebra, com um grito de vitória coletiva, a transformação mais profunda que sua trajetória inspirou: "É, tem filho de pobre virando doutor / Comida na mesa do trabalhador". Este é o coração da epopeia. A promessa feita no sertão se cumpria não apenas em sua vida, mas como um projeto de nação. Da forja das lutas sindicais à Presidência da República, Lula ergueu a bandeira da dignidade, tornando o combate à fome – ecoando o clamor de Betinho – e o acesso à educação as bases de um país mais justo.

A trajetória, porém, é pintada com as cores da resistência coletiva. O samba reverencia os heróis que "pagaram o preço da raiva", como Zuzu Angel e Vladimir Herzog, lembrando que o caminho foi aberto por muitos. Tudo se funde no refrão final, uma declaração poderosa:

"Quanto custa a fome? Quanto importa a vida / Nosso sobrenome é Brasil da Silva / Vale uma nação, vale um grande enredo / Em Niterói, o amor venceu o medo".

Aqui, a saga da família Silva, encabeçada pela força de Dona Lindu e vivida na pele por Lula, se torna a metáfora do Brasil. E a moral da história, cantada para o País, é cristalina: a força mais revolucionária é o amor. O amor de mãe que enfrenta a seca, o amor ao povo que transforma dor em política, e que, no fim, vence até o medo. Esta é a grande vitória que o samba anuncia: a de que um povo, guiado pela coragem de suas mães e pela determinação de seus líderes, pode escrever um futuro de renascimento. Escrever essa matéria, me emocionou,ver o brio de uma vida e viver seu resultado, enobrece nosso Brasil. Salve os brasileiros, salve os vencedores que do nada,conseguem mudar a vida de milhares de pessoas. Viva os compositores dessa obra-prima. 

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