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Estadual do MS: Por que o público some dos estádios?

Publicada em: 05/02/2026 15:54 -

Por: Carlos Gomes

O Campeonato Sul-Mato-Grossense mal começou e já expõe velhos dilemas conhecidos pela torcida. Este ano, com o calendário antecipado devido à Copa do Mundo, o cenário de "concorrência desleal" ficou ainda mais evidente, revelando os gargalos que afastam o torcedor das arquibancadas.

A Concorrência com o Eixo Nacional

O primeiro grande obstáculo é o excesso de oferta. Com o Brasileirão e outros estaduais de maior visibilidade acontecendo simultaneamente, o torcedor local — que muitas vezes prioriza times de outros estados — acaba escolhendo o sofá em vez do estádio. O acúmulo de jogos no meio e final de semana satura o calendário e obriga o público a ser mais seletivo.

O Peso do Elenco e o Nível Técnico

É inegável que a falta de "jogadores de renome" impacta. Grandes contratações funcionam como um ímã, garantindo estádios cheios, ao menos na estreia. Sem esses nomes, o torcedor comum adota uma postura de espera: só gasta com ingresso se o time "engrenar" ou chegar às fases decisivas.

Somado a isso, o nível técnico inicial costuma ser baixo, reflexo de pré-temporadas curtíssimas, o que desmotiva quem exige um espetáculo de melhor qualidade.

Barreiras Invisíveis: Preço, Horário e Logística

Embora o preço médio do ingresso no MS (entre R$ 20 e R$ 30) seja acessível, outros fatores pesam:

Jogos no período da tarde em dias úteis prejudicam quem trabalha no comercio ou em expediente de 8 horas.

Falta apoio do setor público e privado para garantir transporte coletivo eficiente saindo dos bairros rumo aos estádios.

As transmissões online tornam-se uma alternativa mais prática diante de tantas dificuldades de acesso.

O Silêncio da Gestão

Por fim, há um vácuo de marketing. Existe pouca divulgação nas cidades e uma ausência crônica de incentivos ou promoções por parte da Federação de Futebol.

Se os clubes desejam ver as arquibancadas lotadas novamente, precisam mudar a mentalidade. O futebol moderno exige mais do que apenas abrir os portões; exige promoção, logística e um produto que transforme o futebol, não apenas como mais uma partida e sim, um evento com o entretenimento que atraia o torcedor a sair casa.

 

* O autor é professor  e comentarista esportivo

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