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Que tipos de relações queremos fortalecer na sociedade?

Publicada em: 07/03/2026 07:00 -

 

Por Liliana Medeiros

Nem toda história feminina é igual.

O Dia Internacional da Mulher costuma ser marcado por homenagens, flores e discursos de celebração. Mas talvez essa data também deva servir como um convite à reflexão sobre as diferentes realidades vividas pelas mulheres na sociedade.

No Brasil de hoje convivem trajetórias muito distintas. Entre elas, é possível identificar ao menos três dinâmicas femininas presentes na sociedade contemporânea: a da mãe solo provedora, a da mulher que constrói em parceria genuína e a da mulher que estabelece relações baseadas na dependência financeira.

A primeira realidade é a da mãe solo, responsável por milhões de lares brasileiros. Dados do IBGE indicam que cerca de 11 milhões de famílias são chefiadas por mulheres que criam seus filhos sozinhas. Muitas enfrentam renda inferior à média nacional e estão inseridas em ocupações informais ou instáveis.

Além da responsabilidade financeira integral, essas mulheres acumulam tarefas domésticas e o cuidado diário com os filhos. Na prática, exercem simultaneamente os papéis de provedoras, gestoras do lar e cuidadoras.

Trata-se de uma realidade marcada por resiliência, disciplina e capacidade de superação diante da escassez — uma força silenciosa que sustenta milhões de famílias brasileiras.

A segunda dinâmica é a da mulher que vive em parceria genuína. Nesse modelo, a mulher mantém autonomia profissional e financeira e participa ativamente da construção da estabilidade familiar. As responsabilidades são compartilhadas entre os parceiros, tanto no aspecto financeiro quanto nas tarefas domésticas e na educação dos filhos.

Esse tipo de relação demonstra que independência feminina e cooperação conjugal não são conceitos opostos, mas complementares. Relações baseadas em reciprocidade tendem a produzir maior equilíbrio emocional, planejamento familiar e crescimento patrimonial conjunto.

Por fim, existe uma terceira dinâmica que também precisa ser discutida: relações baseadas na dependência financeira e na exploração unilateral dos recursos do parceiro.

Nesses casos, a contribuição para as responsabilidades do lar é mínima ou inexistente, enquanto o padrão de consumo pessoal permanece elevado. Quando uma relação se estrutura dessa forma, cria-se um desequilíbrio que compromete a ideia de parceria e transforma o vínculo em um arranjo sustentado essencialmente pelo benefício individual.

Essas três realidades coexistem na sociedade e revelam diferenças profundas — não apenas econômicas, mas também de valores, escolhas e percepções sobre autonomia e responsabilidade.

Por isso, talvez as perguntas mais importantes a fazer amanhã, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, sejam simples: que tipo de relações queremos fortalecer na sociedade? Relações baseadas apenas em interesse ou relações construídas sobre responsabilidade compartilhada, autonomia e cooperação?

Autonomia não significa apenas independência financeira. Também significa responsabilidade pelas próprias escolhas.

Que neste 8 de março possamos honrar quem constrói, valorizar quem compartilha e provocar reflexão em quem ainda precisa compreender o verdadeiro significado da parceria.

Porque uma sociedade madura não se constrói apenas com discursos, mas com relações baseadas em respeito, responsabilidade e reciprocidade.

E reconhecer isso começa com uma verdade simples: nem toda história feminina é igual.

 

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