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Mutirão contra chikungunya avança e revela focos dentro das residências

Publicada em: 30/03/2026 16:26 -

Agente de endemias elimina criadouros de mosquito em frente de residência no Parque do Lago II – Fotos: A. Frota

A força-tarefa de combate à chikungunya em Dourados chegou nesta segunda-feira (30) à região do Parque do Lago II, reforçando as ações de enfrentamento à doença no município. A mobilização reúne equipes da prefeitura, Governo do Estado, Ministério da Saúde e apoio do Exército Brasileiro, com foco na eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

As equipes atuam na limpeza de áreas públicas, como a praça Alfredo Uhde, além de vistorias em imóveis e orientação direta aos moradores. Dourados está entre os 12 municípios de Mato Grosso do Sul classificados em situação de epidemia, conforme critérios do Ministério da Saúde.

O trabalho dá sequência às ações já realizadas em bairros como Jóquei Clube e Santa Felicidade. De acordo com o secretário adjunto de Serviços Urbanos, Angelo Augusto Gomes, cerca de 150 toneladas de lixo já foram retiradas apenas na região do Jóquei Clube.

“Estamos avançando com as equipes e vamos continuar os trabalhos pelos próximos dias. Esse volume de lixo mostra o tamanho do problema e a necessidade da participação da população”, destacou.

Apesar das ações em áreas públicas, o principal desafio identificado pelas equipes está dentro das residências. No bairro Santa Felicidade, além da eliminação de lixões clandestinos, foram constatados inúmeros casos de acúmulo de materiais em quintais e áreas internas, favorecendo a formação de criadouros do mosquito.

A coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Priscila da Silva, enfatizou que a maioria dos focos está diretamente ligada ao descarte irregular de lixo doméstico.

“Grande parte dos focos está dentro das casas, no acúmulo de lixo e objetos que poderiam ser descartados corretamente. São recipientes que acumulam água e acabam se tornando criadouros do mosquito. É uma situação que pode ser resolvida com atitudes simples no dia a dia”, afirmou.

No Parque do Lago II, agentes de endemias identificaram focos tanto dentro quanto em frente às residências, principalmente em locais com galhos, entulhos, folhas e recipientes expostos. Durante a ação, militares do Exército distribuem materiais educativos, enquanto equipes municipais entregam sacos de lixo e orientam os moradores sobre a importância da limpeza.

“Se cada morador fizer a sua parte, conseguimos reduzir significativamente os criadouros do mosquito e, consequentemente, os casos da doença”, reforçou Priscila.

O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, destacou que o cenário ainda é preocupante e exige mobilização coletiva.

“A tendência ainda é de aumento de casos nas próximas semanas, mas isso pode ser revertido com o engajamento da população no combate aos focos”, explicou.

Cenário epidemiológico preocupa

Dados do boletim epidemiológico desta segunda-feira (30) apontam 1.978 casos prováveis e 1.035 confirmados em Dourados, com taxa de positividade de 74,5%. Na Reserva Indígena, são 790 casos confirmados entre 1.304 prováveis.

Atualmente, 33 pessoas estão internadas com suspeita ou confirmação da doença, distribuídas entre o Hospital Porta Esperança, na aldeia Jaguapiru, o HU-UFGD e unidades privadas.

O município segue em situação de emergência em saúde pública, com avanço dos casos para a área urbana e aumento na pressão sobre a rede de saúde. A média de atendimentos na UPA também cresceu nas últimas semanas, refletindo o impacto direto da chikungunya no sistema municipal.

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