Tocando Agora: ...

István Mészáros por (Tácito Loureiro)

Publicada em: 25/06/2025 15:29 - Literatura

 

O Cartógrafo do Abismo 

Não cantei heróis de espada ou escudo, 
Canto o filósofo que rasgou o véu
István, nome que, em sombras, batendo forte, 
Mapeou o abismo onde o sistema fez lei

Viu o Capital não como máquina fria, 
Mas Sistema – entranha viva, voraz, 
Que a seiva do mundo em cifra convertia, 
Sugando o tempo, o suor, a paz. 
"Produção Destrutiva", seu grito ecoa, 
"Metabolismo Social" em fratura
Ordem que desordena, luz que afoga, 
Raiz da crise, sem cura na estrutura. 

Não basta ajustar peças no engenho antigo, 
Não basta um remendo no pano rasgado. 
Ele apontou: "Para Além" é o perigo
É o salto urgente, o novo alicercado. 
O Livro (nave que sulca o dilúvio) 
Mostra a práxis como farol aceso: 
Não destino, mas caminho coletivo
Onde o humano forja seu próprio peso . 

"Educação para Além do Capital"
Não fábrica de peças, mas sementeira
Onde a consciência brota, igual e vital, 
Onde o "controle metabólico" espera  
Mãos que teçam a vida, não o lucro cego, 
Tempo livre que floresce, não que escorre... 
Um mundo onde o valor comum é o regresso, 
Onde o "sistema do capital" não more

Seu legado? Não um dogma petrificado, 
Mas a bússola crítica, afiada e clara: 
Que o abismo tem nome e foi cartografado, 
Que a superação estrutural se prepara  
Não nos céus, mas na luta concreta, diária
Na recusa do fetiche, no grito contido, 
Na construção de um chão – utopia séria – 
Onde o humano, enfim, seja o sentido

É voz que vem do vértice do desastre, 
Chamando a ver a teia, o nó, o fio: 
"A tarefa é total, o risco é palmo", 
"O século" é este: escolher o próprio estio.
István Mészáros: vigia do possível
Raiz profunda que a muralha desconstrói. 
Seu verso? O pensamento irresistível 
Que clama: "Além!"... e em nós, o chão que brota.

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