Nicolás Maduro compareceu ontem a um tribunal de Nova York. Algemado nos tornozelos, ele ouviu as acusações de narcoterrorismo e tráfico de cocaína, mas se declarou inocente e disse ser um "prisioneiro de guerra" e um "homem decente". A próxima audiência está marcada para março.
A situação é inédita e tensa. Após ser capturado pelos EUA em uma operação relâmpago, Maduro está detido em uma prisão no Brooklyn que advogados descrevem como o inferno na Terra.
No sábado, o presidente Donald Trump disse que Maduro tinha sido capturado em um ataque de grande escala e afirmou que os EUA iriam administrar a Venezuela de forma interina.
No dia seguinte, o secretário de Estado, Marco Rubio, adotou outro tom. E, nesta segunda, Delcy Rodríguez, a vice-presidente, tomou posse interinamente, chamando o ocorrido de "sequestro".
O governo local ordenou a prisão de todos os envolvidos no apoio ao ataque americano.
ONU discute ataque à Venezuela 
O Conselho de Segurança da ONU se reuniu hoje para discutir o ataque à Venezuela e a captura de Maduro.
Rússia e China condenaram duramente a ofensiva dos EUA, chamando a ação de "bullying" e "neocolonialismo". Os americanos, por sua vez, defenderam a operação como cumprimento da lei contra um "fugitivo da Justiça".
O Brasil também se posicionou. No Conselho, o embaixador Sérgio Danese afirmou que não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios e criticou a violação da soberania nacional.
Mais cedo, o Planalto confirmou que Lula conversou rapidamente com Delcy Rodríguez logo após a prisão para confirmar os fatos.