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O futuro que nasce de dentro: como a população pode construir um Paraguai rico, próspero e abundante

Publicada em: 31/01/2026 09:51 -

 

Por Tácito Loureiro 

Por décadas, o Paraguai foi descrito a partir do que lhe faltava: infraestrutura, investimento, visibilidade internacional. Raramente foi retratado a partir do que possui em abundância — gente resiliente, recursos naturais estratégicos, energia limpa em escala global, localização privilegiada e uma cultura profundamente enraizada no trabalho, na família e na palavra dada. No entanto, nenhuma nação se torna próspera apenas pelo que tem. A verdadeira riqueza nasce de como seu povo pensa, age e decide todos os dias.

Construir um Paraguai rico e abundante não é apenas tarefa de governos ou investidores estrangeiros. É, antes de tudo, uma obra coletiva, silenciosa e cotidiana, protagonizada pela população.

A riqueza começa na mentalidade

Toda transformação nacional começa com uma mudança de mentalidade. Países prósperos compartilham um traço comum: seus cidadãos acreditam que o futuro pode ser melhor e assumem responsabilidade por construí-lo. Quando o paraguaio deixa de se ver apenas como sobrevivente e passa a se enxergar como protagonista, o país muda.

Isso significa abandonar a cultura da resignação — “sempre foi assim” — e adotar a cultura da possibilidade: “pode ser diferente”. Prosperidade não nasce da queixa constante, mas da pergunta certa: o que posso fazer, hoje, para melhorar minha realidade e a do meu entorno?

Educação prática: o motor silencioso da prosperidade

Não existe país rico sem educação, mas não qualquer educação. O Paraguai precisa de uma educação conectada à vida real, ao empreendedorismo, à tecnologia, à agricultura moderna, à indústria e aos serviços do século XXI.

Cada cidadão contribui quando valoriza o estudo contínuo, não apenas o diploma. O jovem que aprende uma habilidade técnica, o agricultor que adota práticas mais eficientes, o trabalhador que busca qualificação, o empresário que investe em gestão — todos estão, na prática, aumentando o capital intelectual do país.

Uma população que aprende continuamente cria empresas mais fortes, empregos melhores e uma economia mais resistente.

Trabalho com dignidade e excelência

A prosperidade coletiva nasce da soma de milhões de atitudes individuais. Fazer bem o próprio trabalho, cumprir horários, respeitar acordos, entregar qualidade — essas ações simples constroem confiança. E confiança é a base invisível de toda economia forte.

Quando o paraguaio trabalha com excelência, ele não apenas melhora sua renda. Ele eleva o padrão nacional. Países ricos são conhecidos por sua confiabilidade. O Paraguai pode ser reconhecido da mesma forma — não por discursos, mas por comportamentos consistentes.

Empreender para gerar abundância, não apenas renda

O Paraguai tem uma vocação natural para o empreendedorismo. Em cada bairro, feira, campo ou pequena empresa existe criatividade e iniciativa. Mas o desafio é dar um salto: sair do empreendedorismo de sobrevivência para o empreendedorismo de crescimento.

Empreender não é apenas abrir um negócio; é resolver problemas, gerar valor, criar empregos. Quando a população empreende com visão de longo prazo, inovação e ética, o país multiplica sua riqueza de forma sustentável.

A abundância não está em poucos grandes projetos, mas em milhares de pequenas e médias empresas fortes, formais e produtivas.

Cidadania ativa: prosperidade também é responsabilidade cívica

Um país não enriquece quando seu povo se distancia da política, mas quando participa com consciência. Votar com critério, fiscalizar, exigir transparência, respeitar as leis e combater a corrupção no dia a dia são formas diretas de construir prosperidade.

A corrupção não começa apenas nos grandes escândalos; começa quando se normaliza o “jeitinho”. Cada cidadão que escolhe a honestidade, mesmo quando ninguém está olhando, fortalece o futuro do país.

Valorizar o que é nosso e pensar globalmente

O Paraguai possui vantagens extraordinárias: energia limpa e barata, agricultura potente, juventude, estabilidade macroeconômica e posição estratégica no Mercosul. A população contribui quando valoriza o produto nacional, apoia empresas locais e, ao mesmo tempo, se prepara para competir no mundo.

Pensar globalmente não significa abandonar a identidade, mas levá-la ao mundo com orgulho, qualidade e profissionalismo.

Prosperidade como projeto de geração

Talvez a maior contribuição da população seja compreender que riqueza verdadeira não é imediata. Ela é construída por gerações. Cada pai que ensina valores aos filhos, cada mãe que incentiva o estudo, cada professor comprometido, cada trabalhador honesto está plantando uma semente que pode não florescer amanhã, mas certamente florescerá.

Um Paraguai rico não será fruto de um milagre econômico, mas de um pacto silencioso entre milhões de cidadãos que decidem, todos os dias, fazer o melhor com o que têm.

A abundância não virá de fora. Ela já está aqui — esperando ser despertada pela consciência, pela ação e pela coragem de seu próprio povo.

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