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O que impede o Brasil de ser um país rico e desenvolvido?

Publicada em: 03/02/2026 10:26 -

 

Tácito Loureiro 

O Brasil não é um país pobre, nem carente de recursos. Pelo contrário: poucos países no mundo reúnem tantas condições objetivas para a prosperidade. Quando a pergunta é “o que impede o Brasil de ser rico, abundante e desenvolvido?”, a resposta não está em um único fator, mas em um conjunto de bloqueios profundos — culturais, institucionais e mentais — que se reforçam mutuamente ao longo do tempo.

1. Falta de clareza de um projeto nacional de longo prazo

Países prósperos sabem onde querem chegar em 20, 30, 50 anos. O Brasil não tem um projeto nacional contínuo. Cada governo começa do zero, desfaz o anterior e governa para o curto prazo. Sem direção clara, há movimento, mas não progresso sustentável.

Sem metas nacionais claras (educação, produtividade, infraestrutura, inovação), o País desperdiça energia e recursos.

2. Mentalidade de curto prazo e imediatismo

O Brasil sofre de um imediatismo crônico — tanto na política quanto na sociedade. Busca-se o ganho rápido, o benefício imediato, o “jeitinho” que resolve hoje e cria problemas amanhã.

Prosperidade exige disciplina, sacrifício inicial e visão de longo prazo. O país, como coletivo, ainda tem dificuldade em adiar recompensas.

3. Educação fraca naquilo que realmente gera riqueza

O problema da educação brasileira não é apenas acesso, mas qualidade e propósito. Forma-se pouco para:

  • pensamento crítico
  • matemática e lógica
  • ciência e tecnologia
  • empreendedorismo
  • responsabilidade individual

Sem educação prática e exigente, o país produz baixa produtividade — e sem produtividade, não há riqueza.

4. Baixa produtividade do trabalho

O brasileiro trabalha muito, mas produz pouco em termos econômicos comparativos. Isso não é culpa do trabalhador, mas do sistema:

  • burocracia excessiva
  • infraestrutura precária
  • insegurança jurídica
  • má gestão
  • pouca inovação

Riqueza não vem de esforço bruto, mas de eficiência, tecnologia e organização.

5. Cultura de dependência do Estado

O Brasil construiu uma relação distorcida entre cidadão e Estado. Em vez de o Estado ser um facilitador do desenvolvimento, tornou-se:

  • excessivamente grande
  • caro
  • ineficiente
  • paternalista

Isso desestimula autonomia, empreendedorismo e responsabilidade individual, ao mesmo tempo em que consome recursos que poderiam gerar crescimento.

6. Corrupção estrutural (não apenas política)

A corrupção no Brasil não é apenas institucional; é cultural. Ela aparece no pequeno e no grande:

  • sonegação “justificada”
  • privilégios normalizados
  • leis feitas para poucos
  • tolerância social ao errado

Países ricos não são perfeitos, mas têm intolerância social à corrupção. No Brasil, muitas vezes ela é relativizada.

7. Insegurança jurídica e regras instáveis

Investimento exige previsibilidade. No Brasil:

  • leis mudam constantemente
  • contratos são questionados
  • decisões judiciais são imprevisíveis

Isso afasta capital, inibe inovação e trava o crescimento de longo prazo.

8. Elites extrativistas e desconectadas do país real

Parte significativa das elites — políticas, econômicas e burocráticas — historicamente extrai valor do Estado em vez de criar valor para a sociedade. Isso gera concentração de poder, desigualdade e bloqueio à mobilidade social.

Sem elites comprometidas com o desenvolvimento nacional, o País fica preso ao passado. O agronegócio e o extrativismo, por exemplo, causam concentração de renda, destruição ambiental, pobreza.

9. Desvalorização do mérito e da excelência

O Brasil tem dificuldade em premiar mérito de forma consistente. Muitas vezes:

  • esforço não é recompensado
  • mediocridade é tolerada
  • excelência é vista com desconfiança

Países desenvolvidos criam ambientes onde ser bom vale a pena.

10. Falta de responsabilidade individual coletiva

Talvez o ponto mais sensível: o Brasil ainda tende a terceirizar a culpa. A culpa é sempre do governo, do sistema, da história, do outro.

Países prosperam quando seus cidadãos perguntam:
“O que eu posso fazer melhor?”
e não apenas:
“Quem errou?”


Em síntese

O que impede o Brasil de ser um país próspero não é falta de recursos, mas:

  • falta de clareza
  • falta de disciplina coletiva
  • instituições fracas
  • cultura de curto prazo
  • baixa exigência consigo mesmo

A boa notícia é que nada disso é imutável. Países mudam quando a mentalidade muda. O Brasil não precisa de um milagre econômico. Precisa de maturidade como nação.

Prosperidade não é um destino geográfico — é uma decisão coletiva sustentada ao longo do tempo.

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