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Levante indígena contra a privatização dos rios no Brasil

Publicada em: 22/02/2026 07:06 -

 

Um levante indígena está em curso no Brasil contra a tentativa de privatizar rios da Amazônia, transformando-os em hidrovias para o agronegócio.

Desde 22 de janeiro de 2026, cerca de 800 indígenas de 14 povos da Bacia do Tapajós, no Pará, ocupam o terminal portuário da multinacional Cargill em Santarém como parte de uma mobilização permanente. Eles exigem a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que faz parte do Programa Nacional de Desestatização (PND) e inclui os rios Tapajós, Madeira e Tocantins no rol de hidrovias a serem entregues à iniciativa privada.

O governo federal anunciou recentemente a suspensão do processo de dragagem do rio Tapajós, alegando ser um “gesto de negociação”, mas isso não revoga o decreto nem atende às demandas principais das comunidades.

Os povos indígenas afirmam que não foram consultados livre, prévia e informadamente, como exige a Convenção 169 da OIT, ratificada pelo Brasil.

Segundo os manifestantes, transformar rios que são vida, cultura e sustento para as populações tradicionais em corredores de exportação de soja e milho é uma ameaça direta à sua existência, ao meio ambiente e aos direitos territoriais.


Condenação da privatização dos rios no Brasil

É absolutamente inaceitável que um governo brasileiro, independentemente de sua orientação política, tente entregar rios fundamentais à vida no país a grandes corporações transnacionais. A Amazônia e seus rios — como o Tapajós, Madeira e Tocantins — são ecossistemas vitais para o equilíbrio climático global, para a sobrevivência de milhares de comunidades tradicionais e para a biodiversidade. Transformá-los em hidrovia privada para o agronegócio é uma violação grave de direitos humanos, territoriais e ambientais.

Privatizar rios significa colocar lucros acima de vida, cultura e futuro das gerações, ignorar os povos que dependem desses cursos de água para pescar, cultivar e manter tradições ancestrais, e fragilizar ainda mais um patrimônio natural que já enfrenta desmatamento, poluição e exploração predatória.

Os povos indígenas brasileiros estão na linha de frente dessa luta porque defender seus rios é defender a vida inteira — humana e não humana. É preciso apoiar essa resistência e exigir que o governo brasileiro revogue imediatamente quaisquer projetos de privatização dos nossos rios, respeite o direito à consulta das comunidades e coloque a proteção da natureza e dos povos tradicionais acima dos interesses de grandes empresas e do agronegócio predatório.


 

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