Tocando Agora: ...

Rota Bioceânica (por Tácito Loureiro)

Publicada em: 27/06/2025 11:15 - Literatura

 

CORDILHEIRA DOS DOIS ABISMOS

 

Não é estrada — é Cicatriz Luminosa:  

O Pacífico, ancião de sal e memória,  

Fecunda veias de granito e sombra,  

Enquanto o Atlântico, fera verde e livre,  

Canta mitos de raízes e vulcões.  

Dois mares entrelaçam-se em abraço eterno  

Sobre a espinha do continente desperto —  

E a terra exala âmbar sob a lua.  

 

I. DESERTO: ATHANOR DA TERRA  

A areia não é pó — é pó de estrelas,  

Onde camelos, fantasmas de constelações,  

Cruzam leitos de oceanos petrificados.  

Cada duna é um verso sânscrito do vento,  

Cada véu, mapa de Atlântida em pirita.  

Quem pisa a duna não avança: transmuta-se.  

O deserto é o crisol onde o tempo vira ouro.  

 

II. CUME: UROBOROS DE ASAS  

No abismo, a cordilheira canta:  

“Levanta-te, peregrino! Eu sou a coluna  

Que sustenta o sonho do mundo!”

No cume, os oceanos fundem-se em serpente alada —  

Jaguar azul de olhar estelar,  

Cujo rugido é o pulso do magma,  

Cujas asas são asas do tempo.  

 

III. ESTRADA: SANGUE DE TITÃS  

O asfalto? Não. É artéria do cosmos,  

Por onde corre ferro de meteoros caídos,  

Ouro que sonha em raízes profundas.  

Cada curva é um nó no cordão umbilical da Terra,  

Tecendo o Andrógino Primordial:  

Pacífico — útero de névoa e espuma,  

Atlântico — semente que fecunda o abismo.  

 

EPIFANIA: PORTAL BIOCEÂNICO  

Viajante! Ao cruzares o derradeiro pico,  

Vê: a estrada não finda — renasce 

Como lâmina de luz cortando a noite.  

À frente, os oceanos dissolvem fronteiras  

Num círculo de água, pedra e fogo:  

Navios são serpentes aladas,  

O horizonte — umbigo do novo mundo.  

 

PROFECIA: O EIXO QUE DANÇA  

Esta rota não liga terras — liga almas.  

Quem a percorre rasga o Véu de Ísis:  

Descobre que os abismos são um só coração.  

Homem que pisas este Eixo do Mundo,  

Tornas-te Ponte Viva entre céu e inferno —  

Coluna que dança no peito do caos.  

 

SELO FINAL  

Só quando os oceanos se beijam no abismo, 

O mundo revela seu segredo mais antigo:  

Toda separação é espelho quebrado, 

Toda jornada — regresso ao ventre da Luz. 

 

 

Compartilhe:
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...