Ela sorria nos intervalos obrigatórios da vida, mas seu olhar carregava a quietude de uma dor antiga. A infelicidade não era um grito, mas um silêncio profundo que habitava o centro de seu peito.
Vivia entre as expectativas dos outros e a sombra do que poderia ter sido. Cada tarefa cumprida, cada obrigação atendida, era um pequeno desvio de si mesma. A rotina era um casulo que não a protegia, mas a isolava do próprio desejo.
Não havia uma causa única, um grande drama a apontar. Era o peso suave e constante das pequenas renúncias, o eco vazio de palavras não ditas, o luto silencioso por uma versão de si mesma que havia se perdido pelo caminho.
Sua tristeza era um país particular, com fronteiras invisíveis que ninguém mais conseguia ver. E ela seguia, navegando os dias com a coragem quieta de quem aprendeu a viver mesmo quando a felicidade decide ficar de fora. Por Liliana Medeiros.